Um dia estava conversando com o Pelica do CELVA sobre alguns artistas não cristãos, que tinha umas referências estranhas, porque você sabe, cristão é meio cabreiro, e tudo que é diferente recebe logo uma tag estranho/esquisito. Confesso que comigo não é diferente.

Como sempre tentei procurar uma explicação usando vocábulos que se interligavam e criavam discursos dignos de um paredão desses BBB’s da vida. Um lixo…

Pelica Osenga para descomplicar tudo, explicou:”É a assinatura de Deus!”

E essa é a explicação perfeita! Deus deixou traços de sua criação em todos os lugares, e mesmo o homem mais corrompido de todos, ainda preserva alguma coisa d’Ele, até porque, alguém que foi criado à imagem e semelhança de outro, não consegue esconder todos os traços da matriz.

O que estimulou a discussão (via Google Talk porque ainda não fui ao CELVA), foi um video dos Los Hermanos que o Ricardo me enviou, antes de postar no Diversità, claro que essa informação não é relevante, mas… eu vi primeiro.

A música De Onde Vem a Calma dos Los Hermanos, foi usada em uma montagem com imagens do filme Paixão de Cristo, e por algum motivo muitas coisas se encaixam, em especial o trecho dos últimos minutos nos versos:

Eu não vou mudar não, eu vou ficar são

Mesmo se for só, não vou ceder

Deus vai dar aval sim, o mal vai ter fim

E no final, assim calado

Eu sei que vou ser coroado rei de mim

O video foi editado pelo Darlan, um rapaz muito gente fina, que respondeu com muita disposição os meus comentários no video que está no YouTube.

Uma coisa que o própio Darlan comentou, foi o fato da música ter diferentes interpretações. Se você prestar atenção, ela pode estar falando de um rapaz homossexual, ou mesmo de um mendigo, que foi um dos outros que ele editou.

Não estou aqui dizendo que Los Hermanos é uma banda com rapazes corrompidos, que em certos momentos demonstram a “assinatura de Deus”. Pelo contrário, defino os rapazes barbudos apenas como música, e música da melhor.

A melhor definição que eu encontrei para esse tipo de coisa é a do Apóstolo C.S.Lewis:

Há um sentido em que todos os agentes naturais, até mesmo os inanimados, glorificam a Deus continuamente, revelando os poderes que Ele lhes deu. E nesse sentido nós, como agentes naturais, fazemos o mesmo. Nesse nível, os nossos atos iníquos, no sentido em que eles exibem nossa perícia e força, pode dizer-se que glorificam a Deus, tanto quanto nossas boas ações. Uma peça musical executada com excelência, como operação natural que revela um grau alto dos poderes e habilidades dados ao homem, desta forma sempre glorifica a Deus, seja qual tenha sido a intenção dos executores.

Como observado muito bem pelo meu amigo Diego, no fim tudo vai acabar na mesma via, onde o justo é separado do mau. Isso é bem diferente, e mais amplo que o paradoxo que estamos acostumados.

E para ir além no assunto, recomendo o artigo Abbey Road, Clube da Esquina e outras influências, do recém nascido portal Cristianismo Criativo.

De Onde Vem a Calma - Los Hermanos