Crendo em Deus mesmo não tendo certeza de Sua existência

faithMuito bom estar vivendo nessa época onde o gênio cristão mais improvável que existiu tem a sua obra estudada e valorizada como nunca antes.

Estou falando de C.S. Lewis, autor de As Crônicas de Nárnia. Ex-ateu e um pensador carregado de dúvidas mescladas com uma grande fé.

Uma das histórias mais interessantes da série do país de Aslam é A cadeira de prata. Dois dos meus personagens preferidos estão “estrelando” nesse livro: Eustáquio, que desde A Viagem do Peregrino da Alvorada já me cativou com seu sentimento de superioridade em relação aos primos, e sua capacidade de escrita impecável. Ri muito de seus delírios em achar-se mais certo do que todo mundo, detentor de toda sabedoria e conhecimento diante daquela “gentalha”.

Outro grande personagem de A cadeira de prata, é o Brejeiro, um paulama (tipo semi-humano de Nárnia). É um pessimista dos grandes, sempre prevendo as catástrofes mais sangrentas de deixar Quentin Tarantino no chinelo.

Um dos trechos mais belos do livro, é um citação do própio. A cena é mais ou menos essa: o Brejeiro e as crianças estão encantadas com uma fumaça esquisita e uma música da feiticeira. O narniano tentando se libertar, pisa em um amontoado de brasas, afim de se livrar do êxtase gerado pela encanto, que a esta altura já os faz esquecer da existência de Nárnia e do própio Aslam. Depois de queimar os pézinhos, e impregnar a sala com cheiro de paulama, temos a citação, onde Lewis revela mais de si do que em todos os livros:

Por isso é que prefiro o mundo de brinquedo. Estou do lado de Aslam, mesmo que não haja Aslam. Quero viver como um narniano, mesmo que Nárnia não exista. Assim, agradecendo sensibilizado a sua ceia, se estes dois cavalheiros e a jovem dama estão prontos, estamos de saída para os caminhos da escuridão, onde passaremos nossas vidas procurando o Mundo de Cima. Não que as nossas vidas devam ser muito longas, certo; mas o prejuízo é pequeno se o mundo existente é um lugar tão chato como a senhora diz.

Poderia até “traduzir” o que ele quiz dizer, mas só vou deixar uma mensagem: sinta-se muito confortável em suas crises de fé, porque na verdade elas podem ser um momento de grande lucidez.

O que vai acontecer quando o iPod desligar

Loser Like MeNem só de resmungação vive o iPodJesus, então hoje vou contar algumas coisinhas legais que se passaram por aqui durante esses dias.

Para iniciar recebi boas notícias sobre duas de minhas bandas favoritas, e se você está na faixa etária entre 20 e 30 anos, vai gostar também. Uma é a vinda do Jars of Clay ao Brasil, um dia depois do meu aniversário. Aproveito o momento para compartilhar ótimos links. Outra é a volta da tão saudosa Sixpence None the Richer, anunciada pela própia Leigh Nash em seu MySpace. Em breve teremos um EP deles.

Nem só de música e show viverá o player:finalmente entrei para a faculdade com um atraso de 3 anos. Matutei bastante sobre qual curso escolher e acabei escolhendo Letras, que desde que me lembro foi a carreira que eu sempre planejei. Pretendo compartilhar alguns momentos dessa estrada de 4 anos com vocês, se tiverem paciência e me acharem por aí em novas urls da vida. Outras novidades virão por aí.

Antes que eu pareça neopentecostal, vou deixar a marca rabugenta por aqui: tive um pequenino ataque alérgico no Domingo depois de uns sanduíches de queijo e presunto prensado que comi na igreja. Estou com olheiras enormes, meu nariz está escorrendo, e eu sou um cristão preguiçoso e na medida do possível, sincero. Esse último adjetivo não é tão ruim né? Depende do seu ponto de vista…

Estou estudando como escrever algo do tipo Cristianismo: religião de chatos, filosofia de vagabundos. Aguardem.

Me perguntam quais serão os novos projetos depois do sepultamento do iPodJesus. Não sei direito, só sei que serão dois projetos. Um tratando de planos para uma viagem, a la Diários de Motocicleta, inicialmente pela região nordeste do Brasil. Nesse caso haverá parceria com um grande amigo, mais chegado que irmão. Esse blog, será uma mistura de subversão (não chega ser a pervesão) e espiritualidade. Eu acho… Pra falar a verdade sabemos muito pouco, só que será sobre a viagem. Vamos ver no que dá.

O outro projeto será um blog meio que filho do iPod, só que menos segmentado, não pela música, que inevitavelmente continuará sendo recorrente, mas pela abrangência de público, não creio que será maior. Será, no mínimo, mais variado.

E fica um trecho de uma música que gosto muito e que costumo tratar como uma crítica ao neopentecostalismo. O oferecimento vai especialmente para aqueles que acham que perder é ser menor na vida:

Los Hermanos- O Vencedor

Olha lá quem vem do lado oposto
E vem sem gosto de viver
Olha lá que os bravos são escravos
Sãos e salvos de sofrer
Olha lá quem acha que perder
É ser menor na vida
Olha lá quem sempre quer vitória
E perde a glória de chorar
Eu que já não quero mais ser um vencedor,
Levo a vida devagar pra não faltar amor

Uma boa semana amigos!

Postado ao som de Rebel Rebel do David Bowie, que deve ser inspiração de Dead Man do Jars of Clay.

As escolas literárias do iPodJesus e 100 músicas essenciais - God Only Knows

loja de livrosNa escola, uma professora me fez gostar de literatura. O nome dela era Dirce, mulher do Vicente Neves, que era um homem que tinha a maior mercearia da cidade. Isso foi quando eu morava em Minas Gerais.

Ela falava dos livros com uma paixão! Dava vida a poemas, e colocava sentido em escolas literárias como se fosse o motivo pela qual ela viveria. Pra falar a verdade eu acho que era quase isso. Ela não nos obrigava a decorar a diferença entre um estilo ou outro, mas isso acabava acontecendo por osmose.

Desde o começo eu não gostava do Romantismo, com seu culto ao belo e o endeusamento dos humanos. Já o Realismo/Naturalismo, me despertou o interesse pelo fato de mostrar quem realmente somos, em alguns casos até pior do que parecemos, leia bem, parecemos. Histórias como em O Cortiço, são mais comuns do que se escrevem hoje em dia.

Resolvi dividir o iPodJesus, na sua curta e final existência, em algumas escolas literárias, até recentemente não estudadas:

E para as 100 músicas essenciais de hoje, fica God Only Knows, interpretado por Jamie Cullum.

Jars of Clay no Brasil e 100 músicas essenciais- I need You

A banda que eu mais ouvi durante toda a minha vida, a dona das letras com maior crise existencial que já existiram, virá ao Brasil: Jars of Clay prepara as malas para visitar a América do Sul.

E como se fosse um presente de aniversário, os shows acontecerão um dia depois da minha data de nascimento. Na verdade são duas apresentações, uma no dia 07 de março e a outra no dia 08.

Estou ficando velho pessoal! Vejo isso quando escuto essas músicas como se fosse a coisa mais natural do mundo. Era um adolescente quando o Jars era adolescente e faziam sonzinhos pop como Unforgetful You, e os vejo hoje cantando epopéias melancólicas como Oh My God.

E de forma totalmente imparcial :) , incluirei Oh My God entre as 100 músicas essenciais.

Essa letra pode te assustar em um primeiro momento. Trata-se de um questionamente ao própio Deus.,mas de uma forma bem diferente daquilo que vemos em discursos de restituição anunciados por aí.

Percebe-se muito amor, muita paixão pela vida. Acima de tudo, um questionamente à atitude silenciosa de Deus. É a própia incoformidade expressa em versos.

Não se trata de pirraça, mas de um choro contra a injustiça

Deixo um destaque para a parte da letra que diz:

As vezes quando perco o controle

Fico imaginando o que fazer sobre o céu

Todas as vezes que pensei chegar lá em cima

Todas as vezes que tive que ceder

Espero que assim como eu vocês também apreciem esta música com a edição feita pela Raquel. Preparem os lencinhos:

Fica também a dica de entrar no MySpace do Jars of Clay,e ver o novo single “I Love My Triangle”. Se o próximo cd tiver essa linha folk moderninho vai ser muito bom.


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