Muito bom estar vivendo nessa época onde o gênio cristão mais improvável que existiu tem a sua obra estudada e valorizada como nunca antes.
Estou falando de C.S. Lewis, autor de As Crônicas de Nárnia. Ex-ateu e um pensador carregado de dúvidas mescladas com uma grande fé.
Uma das histórias mais interessantes da série do país de Aslam é A cadeira de prata. Dois dos meus personagens preferidos estão “estrelando” nesse livro: Eustáquio, que desde A Viagem do Peregrino da Alvorada já me cativou com seu sentimento de superioridade em relação aos primos, e sua capacidade de escrita impecável. Ri muito de seus delírios em achar-se mais certo do que todo mundo, detentor de toda sabedoria e conhecimento diante daquela “gentalha”.
Outro grande personagem de A cadeira de prata, é o Brejeiro, um paulama (tipo semi-humano de Nárnia). É um pessimista dos grandes, sempre prevendo as catástrofes mais sangrentas de deixar Quentin Tarantino no chinelo.
Um dos trechos mais belos do livro, é um citação do própio. A cena é mais ou menos essa: o Brejeiro e as crianças estão encantadas com uma fumaça esquisita e uma música da feiticeira. O narniano tentando se libertar, pisa em um amontoado de brasas, afim de se livrar do êxtase gerado pela encanto, que a esta altura já os faz esquecer da existência de Nárnia e do própio Aslam. Depois de queimar os pézinhos, e impregnar a sala com cheiro de paulama, temos a citação, onde Lewis revela mais de si do que em todos os livros:
Por isso é que prefiro o mundo de brinquedo. Estou do lado de Aslam, mesmo que não haja Aslam. Quero viver como um narniano, mesmo que Nárnia não exista. Assim, agradecendo sensibilizado a sua ceia, se estes dois cavalheiros e a jovem dama estão prontos, estamos de saída para os caminhos da escuridão, onde passaremos nossas vidas procurando o Mundo de Cima. Não que as nossas vidas devam ser muito longas, certo; mas o prejuízo é pequeno se o mundo existente é um lugar tão chato como a senhora diz.
Poderia até “traduzir” o que ele quiz dizer, mas só vou deixar uma mensagem: sinta-se muito confortável em suas crises de fé, porque na verdade elas podem ser um momento de grande lucidez.
5 Responses to “Crendo em Deus mesmo não tendo certeza de Sua existência”
Leave a Reply

January 25th, 2008 at 12:45 am
Comecei a ler o Fé em Deus e Pé na Tábua e bem interessante como no começo o Miller vive falando do anseio dele em saber o Porquê das coisas. No fim das contas, ele só quer crescer em Deus, mesmo que não o entenda, mesmo que não o sinta. O importante é continuar querendo.
abraço’s
January 25th, 2008 at 9:56 am
O importante é continuar perguntando hehehe
January 25th, 2008 at 11:59 am
Não falei, Mariazinha, que era um só um momento de grande lucidez, apesar de já durar dez anos.
January 28th, 2008 at 7:40 pm
Verdade Thiaguinho, belo texto. Bom, creio que terei dúvidas sempre. Essa é a única certeza diante das incertezas. Bom livro para leitura é o de Ricardo Gondim: “Eu creio, mas tenho dúvidas”
Abraços querido
February 1st, 2008 at 3:49 pm
Realmente é linda essa história e esse trecho fala tudo!
Estou lendo A última batalha, muito bom tbm.
C.S. Lewis arrebenta!
bjos